Pelas Estradas da Vida

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Luna me pediu para brincar com ela fazendo estradas com figuras em cima da cama. Cada estrada concluída ela batia palma feliz, sorridente.
Impossível não lembrar de Washington Luís que dizia que “governar é abrir estradas”. Como mãe, fico feliz se conseguir ajudar minha filha a construir válvulas suficientemente resilientes para que suporte sempre os altos e baixos da vida já que, infelizmente, não tenho poderes para evitar que ela não passe pelas adversidades da vida. <3

 

Sobre crianças, animais de estimação e o respeito pela vida.

Oi gente!
Aqui quem fala é a Roberta, de novo :-)
Segue mais um texto, sei que ando devendo para vocês. Bjo!!!

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No último fim de semana, quando comemorávamos o dia das mães, as redes sociais foram invadidas por um vídeo revoltante onde uma mãe aparece agredindo um filhote indefeso de cachorro, na frente de seus filhos pequenos (um deles é bebê de colo). E para tornar tudo mais grotesco e cruel, incentivando o filho (de três anos?) a fazer o mesmo.

O animal foi resgatado e a agressora irá responder legalmente pelos seus atos (assim espero e estou torcendo).
Confesso que não tive estômago para assistir o vídeo inteiro. Diversos elementos ali me agrediam internamente: um filhote indefeso, duas crianças igualmente indefesas expostas à violência, uma das crianças com a idade da minha filha recebendo um covarde ensinamento de desrespeito a um ser vivo e o pior de tudo: uma mãe sendo a responsável por essa barbárie.

Sim, a mãe. A pessoa que (em tese) deveria ensinar, acalentar, orientar a caminhada dos filhos; mostrar o respeito para ensinar os pequenos a respeitarem (a si mesmos, às outras pessoas e sim, os animais e plantas também).

Sei que muitos irão dar de ombros e dizer “que isso acontece todo dia”, “que milhares de seres são agredidos todos os dias e isso não é noticiado”.
Sim, eu sei de tudo isso, mas não posso fechar os olhos (e a minha mente) para o ocorrido. Como disse antes, muitas coisas ali me chocaram, talvez pela situação em que tudo aconteceu seja uma realidade tão próxima da minha.

Na hora me lembrei da minha filha (que ama os ‘bichinhos’, como ela mesma diz) e da minha gata.

Sim, eu tenho uma gata pretinha (sou fascinada por esses animais adoráveis), companheira de jornada que irá fazer seis anos em novembro. Contrariando a patrulha anti-gatos (ô gente chatinha, né?) continuei com ela depois de engravidar sem alterar nossos hábitos. E ela dormia (na época) comigo na minha cama – algum problema para você? E sim: vou carregá-la comigo onde eu for, enquanto ela viver. E também ensino minha filha a respeitá-la e amá-la para que desde cedo entenda o valor da vida.

Ninguém é obrigado a gostar de animais, nem mesmo a adorar a idéia de ter filhos, mas é preciso respeito e comprometimento com a vida e esse é o ponto onde quero chegar.

No momento em que uma mãe agride covardemente um ser indefeso na frente de seus filhos, incitando e ensinando lições de violência ela está desrespeitando e quebrando esse compromisso com a vida. O ato de selvageria feriu o animal indefeso (que já foi resgatado) e atingiu a criança que presenciou e foi estimulada a agir da mesma maneira. E puxa vida, foi a mãe do menino que fez tudo isso. Não bastasse o péssimo exemplo, ainda incitou/instigou verbalmente o filho (uma criança) a fazer o mesmo.

Sempre é preciso lembrar que as crianças são seres que absorvem rapidamente qualquer tipo de estímulo, bom ou ruim, e os resultados não demoram a aparecer. Senti muita pena do cachorrinho, fiquei enojada (para dizer o mínimo) com a selvageria da agressora. Porém, como mãe eu senti meu coração rasgar ao pensar na criança que certamente irá carregar essa marca para o resto da vida na sua memória e é impossível prever o resultado. Existem alguns tipos de violência que para mim são intoleráveis, as cometidas contra crianças e animais estão entre elas. O filhote de cachorro foi vítima de uma crueldade física que é desnecessário descrever (assistam o vídeo, se puderem) e o filho, o menino que aparece no vídeo foi vítima de uma violência psicológica igualmente cruel e sabe-se lá há quanto tempo deve sofrer situações assim.

Me arrisco a dizer que o sofrimento da criança será maior que o do pobre animal (por favor não me interpretem mal, eu explico), pois o bichinho inocente foi resgatado e já está cercado de amor e cuidados da nova família, logo estará adaptado e terá uma existência feliz e tranquila. Já o menino, será para sempre ‘o filho da agressora’, ira carregar para sempre esse estigma e o trauma de assistir as mãe cometendo atos que jamais terão justificativa.

E acontecimentos assim, sempre me fazem refletir sobre as lições que queremos e podemos deixar para nossos filhos (no meu caso, tudo que quero passar para a minha filha). Entre todas as lições, quero que ela lembre especialmente de duas coisas quando pensar em mim daqui alguns anos: amor e respeito.

Ter um filho é uma opção, jamais uma imposição. É uma escolha, muitas vezes feita no susto e na surpresa, é um mergulho no desconhecido, é a certeza de que precisaremos dar o nosso melhor. Ninguém nos obriga a abraçar a maternidade e a missão de amar e educar outro ser. Também não estou dizendo que é fácil, que todos os momentos são (e serão) bons, longe disso. É difícil para caramba! E muitas vezes é doloroso, e não raro um caminho super solitário (mas com muitas alegrias também). A gente continua sendo mulher, tendo desejos, vontades, dúvidas, sentindo dor; a diferença é que depois de um filho a gente aprende a não se abalar tanto, a seguir em frente mesmo quando estamos com a alma dilacerada.

Que mãe nunca tirou forças sabe lá de onde, para seguir em frente, só por amor ao(s) seu(s) filhote(s)? Que mãe que nunca engoliu em seco seus problemas e frustrações para seguir protegendo, ensinando e orientando um filho, com carinho e amor incondicional?

Amor e respeito são lições eternas que às vezes levamos uma vida inteira para ensinar, mas bastam poucos momentos (e atitudes) para destruir todo o esforço…

E para mim, o respeito aos animais está incluído nesse combo de amor & respeito. Um bicho de estimação é uma vida, além de uma responsabilidade assumida. É uma grande chance de ensinar muitas coisas positivas a nossas crianças, tais como responsabilidade, comprometimento, carinho, união e confiança… (só para citar algumas).

Sempre defendi a idéia que a maneira como ensinamos nossos filhos a cuidar de seus bichos de estimação irá refletir diretamente em sua personalidade e valores futuros, afinal, decidir pela adoção de um animalzinho de estimação é assumir um compromisso. Animais não são descartáveis, sentem dor, frio, fome e medo. Não possuem maldade, agem por instinto e muitas vezes sabem reconhecer e entender os seres humanos muito melhor que os próprios.

Resumindo: não quer cuidar de um bicho? Não adota. E se adotar, cuide com carinho e exerça a posse responsável.

Não quer passar trabalho educando uma criança para criar um ser humano minimamente preparado e digno para o mundo? Então não tenha filhos. E se tiver, pense nas lições que deseja passar para ele, o que ele vai lembrar (e levar) de você no futuro.

É como a minha mãe sempre diz: quer ensinar amor? Dê amor. Quer ensinar respeito? Demonstre respeito. Parece simples, e é.

(Roberta)

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